Grupo de Pesquisa NUDE

Defesa de doutorado Grassine

título: Corpos como projeto: queerizando práticas de representação

25/05 Segunda-feira – 9:00 Online: https://meet.google.com/rkh-qjnw-ipv

Esta pesquisa propõe investigar, a partir das ementas das disciplinas de ergonomia dos cursos de Design de universidades brasileiras, como os corpos são representados, tanto imageticamente quanto textualmente, nas bibliografias de maior incidência. Parte-se do entendimento de que, ao longo da história, o corpo tem sido objeto de estudo, classificação e normatização, mesmo antes da consolidação da antropologia como campo científico no final do século XIX. Exemplos como o Homem Vitruviano evidenciam como determinadas concepções de proporção, simetria e ideal corporal foram historicamente mobilizadas para definir padrões de humanidade, funcionalidade e beleza.

As tensões em torno do corpo, portanto, não são recentes. Corpos dissidentes têm sido historicamente submetidos a processos de controle, apagamento e retaliação, muitas vezes sustentados por justificativas religiosas, médicas e biologizantes. No entanto, a articulação contemporânea dos movimentos sociais, em diálogo com a produção acadêmica, tem provocado tensionamentos sobre aquilo que, por muito tempo, foi ocultado, silenciado ou narrado por olhares externos às próprias experiências corporais dissidentes. No contexto da ocidentalidade, foram criadas ferramentas de mensuração, classificação e representação que ainda hoje contribuem para a manutenção de uma ideia normativa de corpo. A ergonomia e a antropometria, quando incorporadas ao campo do Design, podem ser instrumentos importantes para a elaboração de projetos mais adequados às pessoas. Contudo, quando fundamentadas em modelos corporais restritos, também podem reforçar perspectivas binárias, cisgêneras e, por vezes, sexistas nas formas de representar o corpo humano, suas medidas, capacidades e usos.

A partir desse problema, a pesquisa articula conceitos de gênero, sexualidade e corporeidade para discutir possibilidades de construção de novos imaginários corporais no Design. Para isso, inicia-se pela apresentação do campo da ergonomia física, com especial atenção à antropometria, compreendendo-a como ferramenta historicamente relevante, mas atravessada por escolhas políticas, epistemológicas e visuais. Em seguida, analisa as ementas das disciplinas de ergonomia, refletindo criticamente sobre como esse campo tem produzido determinadas representações de corpo. Por fim, aproxima-se de práticas dissidentes e queerizadas, apontando caminhos para a construção de um léxico visual e textual mais inclusivo, capaz de reimaginar a antropometria como ferramenta ampliada para projetos em Design comprometidos com a pluralidade corporal.

Palavras-chave: Design e gênero. Ergonomia Física. Desenho do corpo. Práticas coletivas queerizadas.

Orientador: Prof. Dr. Guilherme Altmayer

Banca:

Profª. Dra. Zoy Anastassakis (ESDI/UERJ)
Profª. Dra. Bianca Martins (ESDI/UERJ)
Profª. Dra. Dri Azevedo (UFRJ)
Profª. Dra. Bibiana Serpa (UFRJ)